quarta-feira, 23 de março de 2011

o livro que todos precisam ler.

caio fernando abreu é unanimidade entre nós como só, sei lá, chico buarque — "temos sensibilidades gêmeas sim" —, e eu acho inaceitável vocês ainda não terem lido o delicioso "para sempre teu, caio f. – cartas, conversas, memórias de caio fernando abreu". thaynã já leu (ou está lendo; terminou, thaty?). pra atiçar-vos, eu transcrevo aqui trechos do prefácio, escrito por maria adelaide amaral (sim, a dramaturga/autora de telenovelas), que foi amiga íntima de caio:


"Saudades do Caio, muitas saudades, dos cafés, dos papos, dos nossos jantares, da crítica sensível que fazia das minhas peças. A que mais me tocou foi De braços abertos, a respeito da qual escreveu longa carta falando dessa coisa perversa que é o desencontro amoroso. Ele tinha chorado muito durante o espetáculo, 'de compreensão meio estúpida pela perdição humana, pela nossa fragmentação, pelas nossas tentativas frequentemente tão inábeis, mas também tão sinceras de acertar, de fazer as coisas do melhor jeito... O que acontece comigo é que eu tinha andado de braços fechados. Sem perceber'.

Mas quando ele abria os braços não havia o que realmente abraçar. 'Nunca consegui', diz Caio F. nunca carta a Sérgio K. 'Apenas uns vislumbres, visões de esplendor. Me pergunto se até a morte — será? Será amor essa carência e essa procura de amor, nunca encontrar a coisa?'

'Hay cuerpos que no deben repetirse en la aurora', ele repetia, citando Lorca, sobre relações eventuais. Não era o que ele queria. Mas no terreno amoroso não teve muito mais".

2 comentários: