quinta-feira, 24 de março de 2011

a morte

Bom dia, meus amores. Hoje vou postar pra vocês algo que escrevi um tempo atrás, quando passava por um final de um relacionamento, exatamente no dia 13 de Abril de 2009. Já fazem dois anos mas aqui dentro parece que foi ontem. Engraçado como certos sentimentos nunca saem da gente.

Abaixo do meu texto segue palavras de Tia Neuma, que ao ler me deu uma resposta digna.

Espero que gostem.


A morte

A pior morte é a de quem vive, pois não existe o consolo do impossível que a verdadeira morte nos dá. Existe apenas a angústia de sermos impotentes diante da vida e dos sentimentos.

Morre-se quem vive a força, quem não tem amor ou esperança na vida, quem vive cada dia à esperar o tempo passar. Também se morre quando se deixa de fazer parte da vida de alguém e este vive o desespero de sentir a morte de quem ainda vive.

Dói a morte de um sentimento que não deveria ter nascido e muito menos alimentado; e morre-se junto, sendo mais dificil de superar do que as pessoas supõem.

Toda morte gera uma lembrança, que vai se esvaindo aos poucos, como fazem as lembranças, até as que têm envolta muito amor; como se existisse um processo curativo inconsciente em nossa mente, que nos faz levantar, apesar da nossa desesperada determinação de nunca esquecer.

A morte é uma oportunidade que nunca volta e logo chega-se o tempo de enfrentar o fato com coragem e realismo, renunciando sonhos e esperanças.

“Todo homem tem uma tristeza dentro de si e não é pecado recordar um desgosto”

“Ela valia mais, mas não nascera para mais…”

(em Pássaros Feridos)


A resposta de Teresa Neuma

Monique,

Realmente, existem muitas formas de morte. E a pior, talvez seja esta de quem continua vivo fisicamente, pois não nos deixa esquecer. Por outro lado, a nossa determinação é quem dita o esquecimento, pois é nela e com ela que alimentamos algo que sempre vai existir, quieramos ou não, acreditemos ou não: o sonho e a esperança. Sempre haverá sonho e esperança. É próprio do ser humano, sem eles perdemos o rumo. Para onde iremos sem a capacidade de sonhar? Aquele sonho que não nos tira do chão duro em que pisamos, da realidade em que vivemos? O sonho de poder, como diz o poeta, “transformar as terças-feiras mais cinzentas em manhãs de domingo”. O que será de nosso amanhã sem a esperança de um novo amor, de uma vida melhor, mais amadurecida, mais firme? A morte existe sim e sempre vai existir, vivemos a cada dia a finitude de algo bom ou ruim, mas finitude. Contudo, a vida continua pulsando em corações como o seu, jovem, belo, forte. Viva, então, e seja feliz pois ser feliz é uma conquista de cada minuto da vida. Isso eu sei que você sabe fazer, pois vejo em você o perfil de uma grande guerreira.

Tia Neuma.

Um comentário:

  1. eu acho que foi pascal que disse que a diferença do bicho homem em relação aos outros animais é o desejo. enquanto as bestas agem impulsionadas por puro instinto, o ser humano sempre quer alguma coisa, está sempre em busca de. e eu acho que é isso que faz com que a gente seja meio fênix e se levante após cada queda. soa meio clichê, mas eu acho que só se consegue ser feliz (whatever that means) quando se aceita o ciclo vida-morte-vida da vida e se encara os maus momentos como normais e até necessários (ou indispensáveis) para o crescimento. ontem eu lia caio fernando abreu e ele dizia algo parecido: dizia que a gente às vezes precisa da morte porque é dessa podridão que nasce algo novo (cito de cabeça e parafraseando, não sei se com precisão). então é meio isso: é abraçar a fossa, porque não dá pra fugir dela (caio de novo). e dias melhores virão, deus ajude.

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