quarta-feira, 30 de março de 2011

Pra começar


Eu não conhecia o projeto, mas depois do convite enviado por Rodolfo li algumas postagens e me deparei com amores de muitos tipos, poesia de muitos gêneros, fragmentos de vida da parte boa da vida, com pitadas de dor, angustia, sofrimentos que também me perseguem na minha caminhada. Me senti muito bem nesse espaço por perceber que outros espíritos comungam essa ideias. Alguém já dizia que “todos os seres comungam na dor”, que bom ter um espaço para comungar alegria, amor, poesia.

Confesso-me um tanto apreensiva sobre o que compartilhar, mas escolhi de início um trecho de Milan Kundera, na obra “ A identidade”, no qual o personagem Jean Marc fala sobre amizade, achei pertinente para dar boas vindas aos grandes amigos que partilham esse espaço:

“(...) a amizade tal qual se pratica hoje (...) é indispensável ao homem para o bom funcionamento de sua memória (...) a condição necessária para conservar a integridade do seu eu. A fim de que o eu não escolha, a fim de que ele mantenha seu volume, cumpre regar as lembranças como flores num vaso, e esse regar exige um contato regular com os amigos. Eles são nosso espelho, nossa memória; não se exige nada deles, a não ser que lustrem de tempos em tempos o espelho para que possamos nele nos olhar (...) O que eu sempre desejei, desde minha primeira juventude, desde minha infância talvez, era uma coisa inteiramente outra: a amizade como valor elevado acima de todos os outros (...) Sei hoje que essa máxima é arcaica. Ela poderia ser válida para Aquiles, o amigo de Patrocle, para os mosqueteiros de Alexandre Dumas, mesmo para Sancho, que era o verdadeiro amigo de seu mestre, a despeito de todos os desacordos. Mas ela não o é mais para nós.

KUNDERA, Milan, L’Identité. Paris: Gallimard, 1997, p. 50

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