ETERNAMENTE
Para Rodolfo, que eu amo e que tenta me compreender.
Tá chegando a hora da verdade e eu não sei se tenho cacife pra segurar a barra. Não tá dando. Penso em morrer, em me matar. Essa chuva lá fora, esse coração aqui dentro, essa música em todo o mundo e a minha cabeça me dizendo o tempo todo que eu temo a mediocridade como o gato que foge do cão, às pressas, subindo paredes, pulando obstáculos, mas sempre parece que ele está mais perto do que nunca e pronto pra arrancar um pedaço da minha carne assim que eu der bobeira. É muito difícil se desfazer porque é invariável que eu terei de me refazer outra vez. E a força pra isso? Olho pra mim e vejo que não consegui realizar nada do que eu acho que é interessante nessa vida, mas também não sei se o que eu acho importante me impuseram ou é coisa minha mesmo, simplesmente não sei, só sei que sinto. Juro que não queria estar no meio disso tudo porque não vejo muita saída, mas a vida me pôs aqui. O que fazer se não tem nenhuma cerveja nessa casa, nem um amigo no condomínio, nem como ir buscar nenhum dos dois pr’eu não me sentir tão sozinho? Mas aí me lembro. Que um dia eu já estive bem pior, que eu tive depressão, que eu morri de amor, que eu me ignorei por completo, que eu me senti humilhado, que ninguém me entendeu, que eu não tinha forças pra voltar atrás porque me parecia retrocesso, que fui burro em acreditar tanto que poderia haver mudanças, muitas vezes, mil quinhentas e cinqüenta e duas vezes, que eu tive (e tenho e terei) muita saudade, saudade de mim mesmo, da minha mãe, dos meus amigos, dos meus lugares, da alegria, do amor. Sim, do amor, esse que parecia tão próximo, tão amigo, mas estava tão longe que eu tive a impressão de ser míope, não acreditei no que via porque era tudo embaçado demais. Mas era verdade. E mesmo com tudo isso eu ainda estou aqui tentando sobreviver, mas dessa vez com menos desespero e com mais serenidade, esperando o tempo da vida, o tempo do tempo, o tempo se completar e levar com ele essas sensações todas, essas ruins, de impotência e de infelicidade. Talvez já seja muito passar por esses momentos e sair com apenas alguns arranhões que virarão cicatrizes, e no futuro as olharei e rirei sozinho dessa imbecilidade toda, minha e de todo mundo, talvez já seja muito ser eu mesmo apesar. A-pe-sar. Talvez já seja muito ter essa coragem de voltar, de recomeçar. Não quero fingir que está tudo bem, não quero fingir que não foi bom te ver hoje, não quero fingir que sou forte e que não choro, não quero fingir que essa impossibilidade toda me faz tão infeliz. De que adianta? Nada adianta, um dia eu vou estar aqui de novo, não posso tentar escapar. Não posso tentar escapar da paixão, não posso tentar escapar da vida, essas duas certamente me farão chorar outra vez. Agora me explique, pra que? Porque não paz verdadeira e felicidade sem fim com Teresa cantando? Porque não meu quintal, a varanda do Rodolfo, o Peixe Elétrico e Brito sempre? Um pra cada dia da semana e repetindo, repetindo, repetindo? O céu deve ser assim, sem mágoa. Só musica, cerveja e alegria E-TER-NA-MEN-TE.
Natal, 26 de maio de 2010. Meia noite e quarenta e seis.
eu me lembro de quando recebi esse texto e fiquei todo coisado porque ele me foi dedicado — e olha só, já faz quase um ano. eu acho que a gente permanece na vida uns dos outros porque é "o que tinha de ser", né? é como diz lupicínio: "pouca gente repete essas frases um ano depois". e eu só espero poder estar presente na vida de vocês for many years to come, mesmo distante. :~~
ResponderExcluirsó se for distância física. nem te disse, mas mainha me viu falando contigo no chat do face e disse 'vc fala com ele todo dia, neh?' e eu respondi 'má, toda hora'...
ResponderExcluirpois é, graças a deus... imagine se não existisse internet! (bate na madeira)
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