Quando os clientes saíram, Eugênio escancarou a janela, sorveu demoradamente o ar fresco da tarde. De certo modo se sentia alegre. Começava a tomar a vida pelos ombros e tentava beijá-la na face, como lhe aconselhava Olívia. Era um beijo de sacrifício que ele dava ainda com alguma repugnância, num desfalecimento de medo, violentando a sua natureza mais íntima. Mas havia nesse beijo um estranho elemento de fascínio. E ele sabia - se sabia! - que um dia, não muito remoto, ele ainda beijaria com amor essa mesma vida incoerente, sórdida, brutal e apesar disso, ou talvez por isso mesmo, bela.
Olhai os Lírios do Campo, Érico Veríssimo, pág. 188, 2005.
Tenho ido dormir quase sempre meio triste, talvez o cansaço de mais um dia igual, mas acordo com uma fé que me faz saber do mesmo que Eugênio sabia e assim consigo continuar. Acreditar no agora e no futuro sem olhar pra traz, escolher um caminho e seguir tendo fé, sabendo que é a melhor estrada que você pode trilhar. Um exercício sem fim de vontade. Do mesmo livro: "A vida começa todos os dias" (pág. 179)
Bons sonhos, meus amores.
eu simplesmente AMO esse livro, leio, releio, indico mil vezes, sou apaixonada por ele ~:
ResponderExcluirOLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO
ResponderExcluirestou lendo tem um tempo, sem pressa, e tenho achado simplesmente LINDO!
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